8 de setembro de 2011

Palavras Na Rua, Mentiras No Vento




Há muito, muito vento. O mar deixou de ser quem era e eu não consigo escrever.

Como a força das ondas que rebentam na sua amplitude de "quereres", assim foi sempre a vontade de acreditar. Acreditar na mudança. Acreditar que o ontem é a mesma esquina com que hoje me recuso cruzar. Mas ainda assim, sei que passarei lá. Sem amplitudes.
E eu sei porque queremos acreditar.
Foi assim que decidi baixar a capa. Sabia-o temporário, sabia-o errado, mas ainda assim...despi-me.
Despi-me eu. Ninguém o fez por mim.

E testei-me.
Fi-lo com a força do desejo da dor crescente e residente.
Fi-lo acompanhada por todas as razões e todos os erros.
Fi-lo com as músicas mais previsíveis e dolorosas na noite da minha mente... E hoje sei que só eu as ouvi.
Testei-me enquanto me testavam.


Não tive noção de ver nascer nada.
Foram-me entregues palavras em forma de notícias publicadas algures em lado nenhum.
E quisesse eu sabê-lo...No fundo sempre o soube.
Afinal, triste é saber a verdade antes do tempo. E com a mesma onda, quis acreditar que também a verdade podia ser mudada.
Mas alguém rebentou a escala no teste da previsibilidade. E perdeu a noção de mim.



Está muito, muito vento. E deixei voar o que não me pertence.
Vesti-me.
Sabemos que um dia alguém saberá tirá-la.
Hoje, nem esvoaça.

Hoje o mar sou eu.

5 comentários:

  1. gosto imenso, principalmente da segunda metade.
    relembra-me muito palavras que também gosto. a maresia relembra-me sempre casa.
    uma das poucas coisas que temos em comum. :)

    gostei, sim.

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  2. Sofia,

    Nunca esquecer é o amanhã, pois ai reside toda a esperança.

    Magnifico espaço o teu.

    Beijo

    Continuo a ler. . .

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  3. Adoro a tua forma tão característica de escrever. Nem precisavas de assinatura, via-se logo que era um texto da Sofia. Muito obrigado, e sim aconselho-te mesmo a ler. Vê se arranjas um tempinho :)

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  4. Olá Sofia!

    Comecei a ler o teu blog hoje e confesso que já li todos os textos que escreveste por aqui. Prenderam-me de tal maneira e gostei tanto do teu estilo de escrita, que decidi lê-los todos e acrescentar o teu blog à minha lista de favoritos.

    De certa forma, identifico-me com a tua forma de escrever, diria até que é uma escrita inspiradora. E mais, ao ler os teus textos, deu-me uma enorme vontade de voltar a escrever com mais regularidade.

    Muitos parabéns pelos teus textos e pela maneira tão única de te expressares.

    Continua a deleitar os leitores que por aqui passam com o que escreves e acredita que tens aqui mais uma seguidora.

    Beijinhos ***

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  5. Nina pega numa prancha e rasga as ondas da vida... O que importa é as ondas que vem e não as que passam... Se vier um tsunami convida-me e irei tb...Boas ondas...

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